HISTÓRIA DO JIU JITSU

ETIMOLOGIA

 

A palavra jūjutsu (柔術) é formada por dois ideogramas do Kanji japonês. 柔 (jū) "suavidade", "flexibilidade" e 術 (jutsu), "arte", "técnica" e por esse motivo é chamada de "Arte Suave". 

Atualmente, a arte é mais conhecida como "jiu jitsu", essa denominação se deve a dois erros: o primeiro foi um erro de tradução por diferenças fonéticas entre o sistema europeu e o japonês que fez com que jū (柔) jutsu (術) se tornasse Ju-Jitsu nos países europeus que foram os primeiros a terem contato com a arte no Ocidente. O segundo erro se deve a utilização da escrita Hiragana: a sílaba "Ju" não existe em japonês, ela é a contração das sílabas "Ji" e "Yu" e a junção dessas duas sílabas forma o jū (柔) e não "Jiu". O "Jiu" é a pronúncia utilizada na China para a mesma escrita.

A ORIGEM DO JIU JITSU

“Quanto à origem e terra natal do jiu jitsu, existem várias opiniões, mas são consideradas meras suposições baseadas em narrativas relativas à fundação de certas escolas, ou alguns registros incidentais ou ilustrações encontradas em manuscritos antigos não apenas no Japão, mas na China, Pérsia, Alemanha e Egito. Não há nenhum registro pelo qual as origens do jiu jitsu possam ser definitivamente estabelecidas. Seria, no entanto, racional supor que desde a criação, com o instinto de autopreservação, o homem teve que lutar pela existência e foi inspirado a desenvolver uma arte ou habilidade para implementar o mecanismo do corpo para esse fim. Em tais esforços, o desenvolvimento pode ter tomado vários cursos de acordo com a condição de vida ou circunstância tribal, mas o objeto e mecânica do corpo comuns, os resultados não poderiam ter sido muito diferentes entre si. Sem dúvida, esse é o motivo de encontrarmos registros relativos à prática de artes semelhantes ao jiu jitsu em diversas partes do mundo, e pela falta de registros de suas origens."

Sensei G. Koizumi, 7º Dan da Kodokan

Apesar de ser impossível determinar com precisão as origens do jiu jitsu, podemos observar que desde os primórdios da história, todas as culturas/civilizações demonstraram ter alguma forma de combate corpo a corpo e por esse motivo não faltam hipóteses sobre a origem da arte suave. 

Porém, existem três vertentes para a sua origem: a primeira versão fala que surgiu na Índia, onde era praticado pelos monges budistas, sendo levado primeiramente para a China e mais tarde para o Japão, acompanhando a expansão do Budismo. Outra versão é de que tenha surgido na China. E a terceira e a mais difundida diz que o jiu jitsu surgiu no Japão.

ORIGEM 1: ÍNDIA

A versão adotada pela maioria dos historiadores é que as técnicas de artes marciais sistematizadas vieram da Índia junto com o Budismo (Dharma). A história defendida é que o templo Shaolin foi construído no centro da China e foi nele que o Dharma introduziu o budismo e o boxe. Diz-se que os monges budistas do norte da Índia contribuíram muito para o desenvolvimento inicial do jiu jitsu. Bandidos atacavam constantemente os monges durante suas longas viagens pelo interior da Índia e como os valores religiosos e morais budistas não incentivavam o uso de armas, eles foram forçados a desenvolver um sistema de defesa pessoal de mão vazias.

Esses monges eram homens de grande sabedoria e possuíam um perfeito conhecimento do corpo humano. Consequentemente, eles aplicaram leis da física, como alavancas, impulso, equilíbrio, centro de gravidade, fricção, transmissão de peso e manipulação dos pontos vitais da anatomia humana, a fim de criar uma arte de defesa pessoal baseada na ciência.

ORIGEM 2: CHINA

Outra versão apóia a ideia de que o Jiu-Jitsu tenha vindo da China na época da queda da Dinastia Ming. Quando um monge chinês chamado Chin Gen Pinh veio ao Japão, acompanhado de seu conhecimento e experiência do Kempo, conhecido como a “Mão da China”.

ORIGEM 3: JAPÃO


Outra teoria diz que havia um torneio chamado “Chikara-Kurabe”, de luta livre desenvolvido por volta de 200 a.C. Alguns historiadores consideram que esse foi o início do sumô ou luta japonesa. Diz-se que mais tarde se tornou o jiu jitsu no Japão.

Uma coisa é certa sobre essas histórias, a de que os japoneses foram responsáveis por refinar a arte da luta agarrada em um sistema muito sofisticado chamado jiu jitsu.
 

Mesmo sendo difícil determinar a origem da arte, é um fato que os guerreiros samurais japoneses foram os responsáveis por organizar uma arte marcial altamente sofisticada chamada jiu jutsu e que a mesma foi desenvolvida no Japão durante o período Feudal.

 

JAPÃO

 

As técnicas de mão vazia faziam parte do treinamento dos guerreiros japoneses durante o período Heian (794 - 1185 d.C.). Durante esse período, o budismo, o taoísmo e outras influências chinesas estavam no auge. Esses sistemas de crenças chineses formaram a base filosófica do jiu jitsu. Os conceitos do flexível superar o rígido e de ceder ao invés de resistir, foram retirados diretamente dos clássicos chineses, como o Tao Te Ching. A conexão entre estes conceitos e técnicas de luta ancestrais culmina em um sistema de luta incomparável chamado jiu jitsu.

 

A ARTE DOS SAMURAIS

O período da história japonesa entre os séculos 8 e 16 foi de guerra civil constante, e muitos sistemas de luta foram usados, praticados e aperfeiçoados no campo de batalha. O treinamento foi focado principalmente em superar oponentes com armaduras e armados.

A história da arte nessa época é incerta porque os professores mantinham tudo em segredo para não dar vantagem aos inimigos. No entanto, o processo evolutivo do jiu jitsu naquela época era altamente realista, uma vez que as técnicas eram constantemente testadas e aperfeiçoadas em combate. A casta guerreira claramente precisava de algumas técnicas de mãos vazias porque sempre havia a possibilidade de perder a arma ou ser pego sem ela. Assim, embora o combate com as mãos vazias fosse uma habilidade distintamente secundária para um guerreiro armado, algum desenvolvimento da habilidade combativa desarmada ocorreu nesses antigos sistemas marciais. Esta foi a semente inicial da qual nasceu uma abordagem completa para o combate desarmado.

PERÍODO EDO

Por volta de 1603, o Japão entrou em um período bastante pacífico após a formação do governo militar Tokugawa por Tokugawa Ieyasu. Durante esse período (1603-1868), as guerras civis feudais que assolaram o Japão por séculos começaram a desaparecer. No entanto, seguindo o ditado “vivendo em paz, mas lembrando-se da guerra”, a prática das artes marciais continuou a se espalhar. As tradições do bujūtsu clássico (artes marciais) exigiam que os samurais aprendessem um método de defesa pessoal para situações em que as armas não pudessem ser usadas.

Habilidades usadas em luta com armaduras começaram a ceder espaço aos estilos sem armas, que incorporaram muitas das técnicas de ataque e de luta dos estilos mais antigos. Durante esse tempo, a ênfase na instrução de combate mudou da arte do campo de batalha para a proteção pessoal em um ambiente civil. As técnicas de luta para lutar no solo foram muito exploradas e desenvolvidas durante este período.

Durante a época feudal, uma variedade de nomes foi utilizada para descrever os sistemas de combate de mãos vazias, incluindo Yawara, Taijūtsu, Torite, Kenpo, Hakuda e Kogusoku. Mais tarde, todos esses estilos viriam a ser conhecidos como kōryu (velha escola) jūjutsu. Estima-se que mais de 500 sistemas registrados de jūjutsu foram praticados no Japão durante sua idade de ouro de 1680 a 1850.

RESTAURAÇÃO MEIJI

Em 1868, a Restauração Meiji do Imperador substituiu o regime militar feudal estabelecido por Tokugawa Ieyasu em 1603. Durante este tempo, a classe samurai, que incluía aproximadamente dois milhões de indivíduos, e seus costumes foram abolidos da sociedade japonesa.

Com a chegada da frota do almirante Perry em 1853 e a demonstração de grande destreza militar ocidental, o povo japonês ficou desencantado com seu bujūtsu (artes militares). Consequentemente, os “métodos antigos” estavam fora de moda e o jūjutsu era desprezado. Muitos instrutores não estavam mais defendendo os valores do Código Bushidō (o caminho do guerreiro). O Bushidō forneceu diretrizes éticas aos guerreiros samurais, que eram virtualmente os únicos praticantes de jūjutsu antes da Restauração Meiji. Sem sua influência, vários praticantes se envolveram em brigas, bebidas, jogos de azar e comportamento rude.

O Jūjutsu era originalmente uma arte projetada para o combate, mas após a abolição do sistema feudal no Japão, certas modificações precisaram ser feitas na arte para torná-la adequada aos tempos modernos. Mesmo que o jūjutsu fosse visto como um método completo de defesa pessoal, havia uma evidente falta de disciplina e educação moral na prática da arte após a abolição da classe samurai.

JIGORO KANO


Com as profundas transformações culturais e sociais da era Meiji, havia uma necessidade urgente de associar a prática do jūjutsu a um modo de vida positivo adaptado aos tempos modernos. Por esta razão, Jigoro Kano (1860-1938), um homem altamente educado e praticante de jūjutsu, desenvolveu sua própria abordagem para ensinar a arte no final dos anos 1800, chamada Kano Jūjutsu e, posteriormente, Kōdōkan Jūdō.

Devido à conotação negativa que a palavra jūjutsu havia desenvolvido, Jigoro Kano decidiu usar o termo jūdō. Ao substituir o segunda parte jutsu, amplamente associado às antiquadas artes militares japonesas (bujūtsu), pelo caractere dō, que significa caminho ou doutrina, Kano tentou dar à arte um significado espiritual mais profundo. Nesse esforço de reformulação da marca, ele não cunhou uma palavra nova para descrever seu método, porque reconheceu que não estava criando uma arte marcial diferente, mas sim uma metodologia de ensino inovadora e modernizada. O termo jūdō foi usado já em 1724 por membros do Jikishin Ryu.

Além de um rígido código de ética, o método de Kano era baseado em kata (treinamento técnico) e randori (simulação de luta). A abordagem de Kano priorizou a educação física, moral e cultural em um ambiente de treinamento seguro e positivo.

A metodologia de ensino do Kōdōkan Jūdō eventualmente substituiu os antigos métodos de jūjutsu. Foi adotado no sistema de escolas públicas, treinamento militar e policial.

Kano foi responsável pelo jūjutsu / jūdō recuperar seu prestígio no Japão. Como um homem educado, ele enfatizou a etiqueta, a disciplina, o respeito e a moralidade como parte do treinamento.

A pedagogia de Kano era baseada em três objetivos principais: educação de defesa pessoal (shobuho), educação física (reshinho) e educação moral (shushinho).

Na década de 1920, Kano ficou cada vez mais preocupado que o crescimento das competições pudesse levar a uma forma retrógrada de disputa do jūdo, como o jūjutsu era antes do Kōdōkan ser estabelecido. Ele temia que uma mentalidade de “vencer a qualquer custo” obscurecesse os objetivos morais mais elevados do jūdo. Além disso, ele achava que um foco exagerado em vencer competições tiraria a eficácia de combate da arte. Por esta razão, Kano começou, entre outras medidas, a diminuir a ênfase nas técnicas de chão no Kōdōkan Jūdō. Sua crença era que, embora as técnicas de chão fossem extremamente úteis nas lutas, elas não eram tão relevantes para a defesa pessoal, especialmente dada a possibilidade de vários oponentes. Ele acreditava que as técnicas de arremesso e golpes traumáticos deveriam ser aprendidas antes de mais nada. As técnicas de chão deveriam ser dominadas também, mas não exclusivamente.

O tempo provou que as preocupações de Jigoro Kano tinham fundamento. Algumas décadas depois, com o enorme crescimento das competições esportivas, várias regras foram implementadas no judô e isso acabou limitando sua eficácia no combate. Após a Segunda Guerra Mundial, muitos soldados dos EUA, que ficaram baseados no Japão, foram expostos ao jūdō esportivo e o trouxeram de volta para a América com eles. O jūdō esportivo rapidamente ganhou popularidade em todo o mundo e, consequentemente, o aspecto da defesa pessoal da arte foi gradualmente esquecido.

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